sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Punhal



Punhal

Juro
Eu rememoro muito
E você está na mesma condição
Mas ninguém quer fugir
Do que ainda vai acontecer
Tem que ser
Você segura
Eu seguro 
Tortura 
Torturo 
Nos apunhalamos os dois
Com o punhal do futuro
E fica o presente obscuro 
Assim como o passado algum
Nem raro e nem comum
E algo em nós se devorando 
Juro Eu me devoro junto 
E você consumindo o seu
Paixão Mas ninguém quer ferir
A quem jamais vai entender
Sem sofrer
Você mistura 
Eu misturo 
Perjura
Perjuro
Nos iluminamos os dois
Mergulhados no escuro
E agora temos de ser duros
Pra não sofrermos mais depois
Nós dois e outros dois
E a força mais e mais Nos arrastando
Quem Me Ouvir Cantar




Quem Me Ouvir Cantar


Quem me ouvir cantar, 
quem me ouvir sorrindo assim,
desconhece a magoa que está dentro de mim.
Quando eu parar de cantar, e sorrir, meus olhos
estarão chorando, meu coração penando, por aquela que
tão longe, vai caminhando, sem olhar para trás.
Não voltará jamais.
Ela não deu a esperança de voltar,
Mas o meu coração, não se cansa de clamar.
Ela não volta mais, ela não vai voltar, para o meu
lar.

Ê Baiana


Ê baiana
Ê ê ê baiana, baianinha
Ê baiana
Ê ê ê baiana
Baiana boa
Gosta do samba
Gosta da roda
E diz que é bamba
Baiana boa
Gosta do samba
Gosta da roda
E diz que é bamba
Olha, toca a viola
Que ela quer sambar
Ela gosta de samba
Ela quer rebolar
Toca a viola
Que ela quer sambar
Ela gosta de samba
Ela quer rebolar
Ê baiana
Ê baiana
Ê ê ê baiana, baianinha
Ê baiana
Ê ê ê baiana

Aruandê...Aruandá


Eu vim da Bahia pra cantar
Aruandê... Aruandá...
Minha gente abre a roda
Eu acabo de chegar
Trago coisas da Bahia
Nas canções que vou cantar
Aruandê... Aruandá...
Eu vim da Bahia pra cantar
Trago o amor como bagagem
E me faço entender
Falo pouco e acertado
E me faço compreender
Aruandê... Aruandá...
Eu vim da Bahia pra cantar
Trago a benção do Bonfim
Berimbau e capoeira
Saravá Pai Joaquim
Proteção a vida inteira
Aruandê... Aruandá...
Eu vim da Bahia pra cantar
Trago a rosa e trago a rima
Trago o som e trago a cor
Trago a terra na viola
E no peito muito amor
Aruandê... Aruandá...
Eu vim da Bahia pra cantar
E agora me despeço
Que eu já dei o meu recado
Deixo um abraço da Bahia com vocês
Muito obrigado

 

Aquarela do Brasil


Brasil, meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos 
O Brasil, samba que dá
Bamboleio que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil pra mim 
Pra mim, pra mim
Ah! abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Brasil, pra mim
Deixa cantar de novo o trovador
A merencória luz da lua
Toda canção do meu amor
Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Brasil pra mim
Pra mim, pra mim!
Brasil, terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
De olhar indiferente
 O Brasil samba que dá
Bamboleio que faz gingar 
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil pra mim 
Pra mim, pra mim!
Oh, esse coqueiro que dá coco
Onde eu amarro a minha rede
Nas noites claras de luar 
Brasil pra mim
Ah! ouve estas fontes murmurantes
Aonde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincar
Ah! esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil pra mim, pra mim,
Brasil! Brasil pra mim, pra mim, Brasil, Brasil!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012




Senhora das Candeias
Clara Nunes


Eu não sou daqui, não sou
Eu sou de lá
Eu não sou daqui, não sou
Eu sou de lá (2x)
A lua cheia
Quando bate nas aldeias
A menina das candeias
Cirandeia no luar
O seu lamento
Tem um jeito de acalanto
Que o rio feito um pranto
Vai levando para o mar
Meu coração é feito de pedra de ouro
O meu peito é um tesouro
Que ninguém pode pegar, eu não sou
Eu não sou daqui, não sou
Eu sou de lá
Eu não sou daqui, não sou
Eu sou de lá (2x)
A noite ficou mais faceira
Pois dentro da ribeira apareceu
Com suas prendas e bordados
Seus cabelos tão dourados
Que o sol não conheceu
A menina-moça debutante
Que namora pelas fontes
Que a natureza lhe deu é Oxum
Ê Oxum, ê Oxum
Senhora das candeias
Que tristeza que me dá
Saber que suas mãos são tão pequenas
Pra matar quem envenena
Pra punir que faz o mal, cegar punhal
Cegar punhal que fere tanto
Pra mostrar que o seu encanto
É uma coisa natural




Ilu-Ayê (Terra da Vida)
Clara Nunes


Ilu-ayê, Ilu-ayê, odara
Negro cantava na nação Nagô
Depois chorou lamento de senzala
Tão longe estava de sua Ilu-ayê


Tempo passou e no terreirão da casa grande
Negro diz tudo que pode dizer
É samba, é batuque, é reza, é dança, é ladainha
Negro joga a capoeira e faz louvação à rainha


Hoje, negro é terra, negro é vida
Na mutação do tempo, desfilando na avenida
Negro é sensacional, é toda festa de um povo
É o dono do carnaval